sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Os 12 trabalhos - Parte II


Para entender a história toda:
Os 12 trabalhos - Parte I

...continuação...

O rapaz estava sentado na sala em estilo colonial enquanto esperava a discussão que acontecia na cozinha. Olhou para as grandes janelas que deixavam uma boa parte do sol entrar, para a estante imensa repleta de livros “Deve ter mais de mil livros aqui. Como pode alguém ler tanto?” e para o aconchegante sofá de couro marrom que deixava sua humilde cama no chinelo. Apesar da felicidade de, finalmente, ter encontrado seu pai ele sentia  não se encaixar nesse mundo e, naquela sala onde tudo era tão grande, apesar do seu 1,95m, se sentia muito pequeno. Estava perdido em seus pensamentos quando entraram de supetão na sala:
- Nem aqui, Atena! Sei lá onde papai se meteu.... Olá – Sorriu a linda jovem de olhos avelã. Ela tinha os cabelos castanho claro que iluminava em dourado quando a luz do sol batia nos cachos largos das pontas. Tinha quase 1,70m e, apenas altura lhe faltava para ser modelo. Hércules perdeu a respiração por alguns segundos enquanto olhava para ela. Ainda sorrindo ela se apresentou:
- Prazer eu sou Afrodite. Você é...
Demorou alguns segundos para ele voltar da contemplação da beleza da moça e, desconcertado, respondeu
- EusouHércules.
- Olá, eusouHercules – ela deu uma risadinha – veio falar com o meu pai?
“Cara! Eu estou em uma casa incrível, encontrei meu pai e ainda tenho uma irmã, meio irmã, MUITO gata!” – quando estava concluindo seu pensamento outra garota entrou na sala, ela estava segurando vários livros, e, ao contrário de Afrodite, o cabelo era de um loiro bem claro, liso e os olhos azuis quase transparentes. Tinha o corpo esguio, mas lhe faltava o sex appeal da  irmã. Ela entrou falando e tinha uma expressão interrogativa que se desfez assim que cruzou os olhos com o rapaz.
- Ah, então você é a razão da cozinha trancada e do cheiro de waffles.
Hércules não entendeu, mas antes de questionar a morena o cortou:
- Não, Atena! Ele veio trabalhar aqui, não foi? – ela olhou para o rapaz que negou com o olhar – Não?!
Atena sorriu de canto de boca e usou o tom condescendente que se usa para explicar algo para uma criança:
- Ai, minha irmã... beleza não vai durar pra sempre, lembre-se disso – Antes que Afrodite pudesse protestar, continuou – olhe bem pra ele. Ombros largos, o maxilar bem marcado, olhos castanhos claro, o cabelo entre um castanho e ruivo, meio ondulado... Tem certeza que já não viu isso em algum lugar?
A garota o olhou analisando e ele pode ver a feição de surpresa surgindo:
- Ai meu Deus! – disse levando a mão a boca enquanto a loira balançava a cabeça com um sorriso no rosto, quase orgulhoso dela ter chegado a uma conclusão – Você é filho do tio Hades.
Hércules recuou ainda mais confuso e Atena quase caiu do encosto do sofá.
- Em que MUNDO o tio Hades tem o ombro dessa largura? E, meu senhor, ele tem o cabelo liso e preto! – Atena estava vermelha de tão indignada – Ele lembra o pai! Zeus! Nosso pai!
- Aaaahhh é!!! – Afrodite disse até empolgada com a descoberta, mas a felicidade logo foi substituída pela decepção – Que droga! Você é nosso irmão. Só por que é bonito... – a morena sorriu para um Hércules agora encabulado pelo elogio de uma moça tão estonteante.
- Cansou de rodar a cidade e por isso está pensando em passar para os irmãos? – um rapaz que já deveria ter seus 20 anos entrou falando alto. Ele tinha 1,90m, o mesmo ombro largo mas, ao contrário do jovem, ele tinha o queixo coberto por uma barba grossa e alaranjada, cabelo loiro escuro curto e arrepiado mas, o que chamava mais atenção, eram os pequenos olhos azuis que transmitiam malicia e sarcasmo.
- Bem que você adoraria né, Ares?! – Afrodite olhou diretamente para ele e os dois se encararam por alguns segundos. Ele deu um sorriso de canto de boca e desviou a atenção para o Hércules.
- Então você é mais um para essa grande família feliz? – o tom irônico na voz era evidente – eu sou Ares, prazer. – Estendeu a mão de forma sincera.
- Hércules. – apertou a mão estendida – mas acho que ainda preciso conversar com... – a palavra sumiu. Era estranho chamar alguém de pai, mas não parecia certo chamar de sr. Gregório ou Zeus – preciso ainda conversar e ver toda essa loucura direito.
- Relaxa, cara! – Ares deu um tapinha caloroso nas costas dele – Tudo de resolve.
- Que bom que tudo se resolve – cortou Atena - mas eu REALMENTE, preciso ir pra faculdade. Preciso de um carro ou de uma carona.
- Tudo bem. Eu levo vocês e o Hefesto leva as crianças.
Atena estava arrumando suas coisas quando Afrodite protestou
- Eu quero ir com o Hefesto. Ele vai ter que ir pra lá mesmo. Só vai mais cedo.  
- Não. Eu vou leva-las. Sou o mais velho e enquanto o pai e minha mãe estiverem conversando eu que mando.
- Ares, leve Apolo e Ártemis para o colégio que Hefesto vai levar as garotas – a voz de Zeus soou atrás de Ares que respondeu rapidamente
- Claro senhor! – olhou para o Hércules – Boa sorte cara.

E enquanto saiam e fechavam a porta Ares murmurou algo para Afrodite e tomou um tapa da moça no braço enquanto ria.
E essa imagem foi a última coisa que Hércules viu antes de ter que encarrar um pai desconhecido e uma madrasta com cara de poucos amigos. 

continua...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Quem conta um conto, aumenta 1 ponto...


Os 12 Trabalhos
Parte 1 


O rapaz ajeitou a camisa e bateu o pó da calça. Olhou para a grande porta a sua frente. A suntuosidade da casa só fazia aumentar o nó na garganta, o frio no estomago e sentir vontade de virar as costas, descer os poucos degraus da entrada e não tocar aquela campainha, mas chegar até ali foi tão difícil, o caminho tão longo, não podia simplesmente fugir e fingir que nada existiu, então ele respirou fundo, engoliu seco e apertou o botão.

Eram 7am e a casa já estava barulhenta como só um lugar com 6 adolescentes pode ficar. Os gritos de “sai logo do banheiro”, “mãeeee cadê minha jaqueta? ” e “Vamos logo! Não quero me atrasar! ” abafavam o toque suave da campainha. A mãe até tentou chamar a atenção:
– Alguém pode atender a porta? – mas não obteve resposta – ALGUÉM? – aumentou o tom mas todos pareciam ignorar e ela mesma teve que ir.
Largou a laranja que espremia e gritou um “Já vai!” enquanto limpava a mão no avental.
Ao abrir a porta ela se deparou com um rapaz forte, segurando um papel amassado e um tanto encabulado.
– É... Bom bom dia! Aqui é a casa do Sr. Gregório?
– É sobre o anuncio no jornal? Se for, pode falar comigo mesma, estamos precisando de alguém para ajudar na fazenda e...
O rapaz interrompeu – Zeus...Zeus Gregório?
– Sim. – Hera respondeu desconfiada enquanto afastava um pouco o corpo para analisar melhor o rapaz.
– Ele...ele... – o rapaz respirou fundo tentando conter a emoção – Ele se encontra?
Com uma cara de quem não gostou muito, Hera chamou sem tirar os olhos do garoto.
- ZEEEEEUS!
Um homem de uns 50 anos de ombros largos e uma aparência de ter sido um esportista na juventude, apareceu na ponta da escada com o colarinho da camisa levantado enquanto tentava colocar a gravata.
- Sim, querida.
Hera se virou e com uma expressão de quem não estava feliz com a situação, mas mantendo a voz calma disse:
- Este rapaz quer falar com você, QUERIDO.  – o tom enfático do querido fez o sangue de Zeus gelar.

Zeus indicou a sala para o rapaz e pediu que o aguardasse um instante. Entrou na cozinha e suspirou antes de fechar a porta de correr atrás de si. Olhou para Hera que estava transfigurada de ódio.
- Her... – tentou iniciar a conversa
- MAIS UM FILHO??? – interrompeu ela já histérica - É ISSO MESMO????
- Calma eu posso explicar...
- PODE EXPLICAR? EXPLICAR O QUE? “SABE, QUERIDA, EU MEIO QUE ESQUECI DE TE FALAR QUE    E U  A R R U M E I  O U T R O  F I L H O  Q U A N D O  V O C Ê  F O I  A O  M E R C A D O!” – Hera gritava enquanto arremessava ovos e farinha dentro de uma vasilha.
- Pode não ser meu filho. Ainda não sabemos a histó... – foi interrompido antes de concluir
- ELE É A SUA CARA!
- Pode ser do Poseidon – respondeu de forma rápida.
- SEU IRMÃO MORA EM VENEZA HÁ 25 ANOS!!!! E nem tente jogar para o Hades - disse apontando a colher cheia de massa de waffle - que esse deve ser assexuado.
- Talvez tenha sido naquela época que ficamos separados.... – arriscou uma última justificativa
- ELE DEVE TER A IDADE DO HEFESTO! – a partir deste ponto a voz de Hera ficou tão aguda que poderia ser ouvida apenas por cachorros, mas ela estava certa. Zeus sabia que não tinha como explicar. Foi uma pulada de cerca. Uma pulada de cerca fenomenal, que agora, 17 anos depois, estava batendo a sua porta, certamente com uma história triste para contar. 

CONTINUA...