terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Encontro desencontrado...


"E nossa historia não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar.
E ate lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer.
Não olhe pra trás,
Apenas começamos.
O mundo começa agora.
Apenas começamos"

Metal Contra as Nuvens - Legião Urbana


Ela o aguardava ansiosamente. Havia uma inquietação naquele reencontro que ela não conseguia entender.
Ele chegou e buzinou, ela não o deixou entrar por que estavam atrasados, ele não comentou mas demorou pois estava convencendo-se a ir.
Ela entrou no carro já reclamando da música, que ele aumentou só de pirraça e começaram a conversar.
Ele não entendia como era tão fácil falar com ela.
Ela não entendia como era tão fácil ouvi-lo.

Chegaram ao cinema faltando um bom tempo. Ela achou que era mais longe, ele só riu e perturbou por causa da sua falta de localização.
Andaram de forma descompromissada. Ele falando pelos cotovelos e ela apenas sorrindo e ouvindo. Quando ela falava, ele prestava total atenção, porem seus olhos pareciam entrar pelos olhos dela e visitar a sua alma, o que a deixava desconcertada e fazia com que se perdesse no assunto.
Ela não entendia como era difícil lê-lo e se sentia constrangida por aqueles olhos conhece-la tão bem.

Ao entrarem no cinema, ele a cutucou fazendo-a rir.
Ela quis segurar-lhe a mão, mas sentiu que ele não queria.
Ele percebeu a vontade dela, mas resistiu, pois sentiu que não devia.

Ela saiu mais falante do filme.
Ele pagou umas bebidas.
Ela ficou mais risonha e ele mais aberto.
Ela deixou ainda mais clara suas vontades.
Ele se afastou com medo de não conseguir evitar.

Ele a levou de volta com o mesmo espirito que a buscara.
Ela demorou a descer, pois sempre foi difícil dizer tchau pra ele.

Ela fechou a porta na certeza que aquilo não existia.
Ele se foi na certeza de que aquilo tinha apenas começado.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Mudanças...

Elas estavam sentadas, uma de frente para outra, sem mais a antiga aproximação. Pareciam duas estranhas, mas guardavam o carinho de anos anteriores e por isso gostavam de se encontrar.
- Pelo que vejo você esta bem! Fico muito feliz!
- É estou. Quem diria...
- ... noiva de um programador...
- é – sorriu – você viu? – mostrou o anel
- Vi sim. Muito bonito, mas nunca achei que ele fosse o seu estilo...
- Ah, eu também não, mas a gente muda...
- Principalmente depois do encantado...
As duas começaram a rir
- Você se lembra dele? Ai ai... e pensar que depois de tudo, descubro que era gay.
- Bem gay! Mas eu já desconfiava e teria te avisado se não tivéssemos...
Ficaram em silencio e só se entreolharam, um sorriso amarelo surgiu nos lábios
- Ah, mas as coisas mudam

- Ouvi dizer que desistiu daquela franquia, mas você sempre quis ter um negocio seu, o que aconteceu?
- A vida deu algumas voltas e apareceram outras prioridades, com o casamento, casa, muita coisa para arrumar e pagar e ai, por fim, me vi comprometendo todo o dinheiro que tinha separado para isso. Mas não me arrependo, afinal não tenho pressa.
- É as coisas mudam...

- E o seu livro? Saiu?
- Não, ficou só no mundo das ideias – sorriu sem graça – E a sua viagem?
- Ah, agora não sei – indicou o anel – as coisas mudaram
- Mas ele vai junto, oras. Passear sem rumo pela América Latina sempre foi seu sonho...
- Ele não tem wanderlust
- Jura?!
- Mas um dia faremos algo assim, só que de uma forma mais comum...

O silêncio perdurou por alguns minutos. Elas se entreolharam, buscando algo para continuar, algum assunto em comum, mas eram tão diferentes agora, a unica coisa que as unia era a sensação de liberdade que a companhia transmita.

- Você viu minhas fotos?
- Vi sim, são lindas. Sempre te disse que era fotogênica, mas nunca gostou de tirar fotos – sorri – fiquei feliz que mudou de ideia.
- Não que tenha mudado totalmente, mas... – esboçou um sorriso
Olhos severos a encararam
- Já não me reconheço...

O barulho de passos na escada a despertou.
- Querida, estamos atrasados. – olhou para o quarto e ela estava  sentada olhando para o espelho e vestindo um roupão – ainda não se trocou? Vamos logo ou perderemos a reserva.

Ela olhou para frente e desta vez viu apenas seu reflexo, sorriu para si mesma
- As coisas mudam...

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Sem drama e sem dor

E então eu desisti.
Simples assim.
Sem o drama.
Sem a dor.
Sem a ausência.
Sem o fugir.
Sem o fingir.
Só desisti.

Cansei de quem só me quer madura. Cansei de quem só me quer quando estou calma.
Sou uma bagunça. Sou confusa. Sou mimada. Sou birrenta.
Sou cheia de tramas e cheia de cantos escuros.

Se não quer ver isso, não posso obrigar.
Mas por mim... eu desisto.
 Desisto de deixar você entrar.

De resto?
De resto vamos levando.
Você não percebendo e eu me afastando.
Sem o drama e sem a dor....

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Uma dose ou duas

"One just escapes
One's left inside the well
And he who forgets
Will be destined to remember"
Nothingman - Pearl Jam


Sexta feira.
Como te detesto.
Detesto como uma amante amargurada. Espero-te a semana toda, mas quando chega só me trás dor e lembranças. Lembranças que são alimentadas pelos encontros de casais na fila do metro, nas portas de prédios, dentro dos bares. Ver essa felicidade, essa cumplicidade, esses sorrisos bobos... só torna tudo mais difícil.
Fujo para dentro de um bar, um clássico “beira de estação”:
Cinza, sujo e velho.
Sento no lado mais longe da porta possível, peço um rabo de galo e viro num gole só.
O vermute e a cachaça dançam suavemente na minha garganta, meu corpo pede mais um.
O segundo já não tem o mesmo sabor, desce como uma bola de fogo. A sensação de nuvens sobe a cabeça e o sangue ferve por todo meu corpo.
Deixo uns trocados sobre o balcão e saio com a cabeça enuviada e cheio de coragem para encarar o frio, encarar a sexta e principalmente encarar a volta pra casa sem você.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Sinto falta...

Sinto falta do cheiro que deixa em meus lençóis.
Sinto falta da sua cara de sono quando acorda e do abraço apertado para eu não levantar.
Sinto falta do beijo sonolento antes de dormir e das mãos afoitas ao acordar.

Sinto falto do seu sorriso.
Sinto falta da sua voz.
Sinto falta das cocegas que me deixam sem ar.

Sinto falta dos resmungos
Sinto falta dos murmúrios

E o que mais sinto falta é de não sentir falta
É ser completa. Só com você

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

.~. Verão .~.

Dele

O rapaz sentou na areia enquanto seus amigos faziam a já tradicional corrida ate a água, não podia participar, pois fora selecionado pelo azar a cuidar das coisas na areia. Passou os olhos para dar a averiguada nas moças que estavam por perto. Então a viu.
Sua pele era tão branca que quase brilhava ao sol, os cabelos escuros e ondulados lhe caiam ate o meio das costas deixando apenas o lacinho aparecer em meio às madeixas, seu biquíni era liso, num verde militar que ressaltava a cor alva de sua pele e lhe daria uma característica recatada se não fosse o pequeno tamanho das peças. Ela se esticou como se tentasse pegar o sol, o coração dele ate bateu mais rápido, ela se movimentava com uma graça, como se cada movimento fosse calculado numa dança. Esquadrilhou cada pedaço. Notou cada detalhe: da tatuagem em forma de ramo que saia do pé e subia torcida pelo tornozelo e panturrilha ate a forma como o cabelo se mexia com o vento. E num súbito a garota virou. Cruzaram olhos, sua vontade era desviar o olhar, mas aqueles olhos castanhos o pegaram. E ela não o olhou com aversão, estreitou os olhos e sorriu como se tivesse gostado de ver que ele a tinha notado. O rapaz desmontou ao ver aquele sorriso, se preparou para levantar, porém num susto seus amigos chegaram lhe espirrando respingos de água gelada o tirando do transe. Ele se virou para xinga-los e reclamar, mas assim que olhou de volta foi como se guarda-sóis tivessem se materializado na sua frente. Não a via. Nem conseguia ver buraco naquele aglomerado.
A raiva lhe ferveu o sangue!
Por que não se afogaram?! Por que vieram lhe tirar daquele sonho?! E como era possível alguém sumir assim?
Não conseguia acreditar na sorte e no azar que tivera. Seus amigos começaram a falar sem parar o deixado ainda mais irritado. Queria pensar e achá-la e aquele barulho todo o distraia.
- Vou pegar uma água de coco.
- Aaahhh que isso?! Aqui tem cerveja.
- Não! Água de coco. – se levantou e pode ouvir seus amigos fazendo graça e agradeceu por isso. Desta forma nenhum deles resolveria segui-lo e assim, quem sabe, poderia encontrá-la.
Chegou ao quiosque e pediu distraidamente a água, virou-se para a praia e seus olhos começaram a varrer o lugar. Ela tinha que estar lá.
Esbarrou o cotovelo em alguém e virou-se rapidamente para se desculpar. Foi como se tivesse caído um raio. Os inconfundíveis olhos castanhos e o sorriso encantador e instigante estavam ao seu lado. Não conseguiu pronunciar uma palavra e ouviu a voz doce dela:
- Olá, estranho.

Dela

Há tempos não sentia o sol. Brincou com os dedos na areia e sentiu a velha cócega que fez tanta falta. Aqueles anos na Suíça por causa dele tinham sido ótimos, mas não havia praia ou sol no mundo como aquele. Era essa sensação que queria sentir. Sentia-se em casa, principalmente agora que estava sozinha, era isso que queria. Isso e uma boa companhia para a noite. Uma não. Uma para cada noite como prometeu para suas amigas. Nada como noites ocupadas para livrar a mente.
Inspirou longamente aquele ar quente e se espreguiçou destravando alguns nós na coluna.
Apesar de tudo o que sofreu com aquela separação era ótimo estar ali.
Sentiu como se alguém a observasse, virou-se e deparou com um par de olhos, um olhar que a tempo não recebia. Sorriu para o rapaz e achou graça de como o desconcertou. Pensou consigo mesma:
- Vamos começar por ele.