sábado, 5 de novembro de 2011

Duas doses de geléia, por favor.

"I used to be on an endless run.
Believe in miracles 'cause I'm one.
A have been blessed with the power to survive.
After all these years I'm still alive."
I Belive In Miracles - Ramones
Dia 03/11 - Contemplando o show

A noite estava fria porem a esperada chuva não veio, mas o vento se encarregou de castigar a arquibancada meio vazia do estádio do Morumbi gelando os ossos . Um publico reduzido porem não menos ansioso e animado esperava a voz rouca de Eddie Vedder.

O frio foi levemente espantado pela banda punk X, que apesar dos seus acordes poderosos e o bem alternado vocal masculino e feminino, animou por um tempo fazendo o publico voltar ao tédio da espera em poucos minutos. Deixaram o palco por volta das 20:15 e a gana pela galera de Seattle só aumentou, mesmo embalada por musicas suaves no estilo Charlotte Gainsbourg.

20:45....21....21:10 e nada. Pearl Jam estava atrasado e o frio castigando.

21:15 começou um piano forte, as luzes do estádio ainda acesas e as pessoas começam a se olhar. A voz rouca do Eddie encheu o estádio, as luzes apagaram e Realease fez o povo enlouquecer. A arquibancada azul tremia o povo pulava e gritava, emendou com Corduroy (a musica de entrada do show de 2005) e Why Go, fazendo o publico lançar os braços em direção ao palco. Arrebatou o publico com World Wide Suicide e emendou com a recente Got Some dando uma pausa para os fãs menos interados respirarem, porem por pouco tempo já que na sequencia lançou um Even Flow, fazendo novamente a arquibancada tremer e a pista delirar.

Mostrou-se simpático tentando ler um texto em português, mas seu português chega a ser pior que seu inglês de sotaque estranho, mas fez todos admirarem a simpatia e esforço do vocal e recebeu de volta o coro “Ole, Ole Ole Ole... Pearl Jam...Pearl Jam...”
Alternando entre menos conhecidas, como Whipping, hits, como Daughter e novas como Ole e The Fixer, fecharam a primeira parte do show com Do The Evolution e Porch fazendo todos gritarem a plenos pulmões.

Eddie apresentou a banda e sairam do palco, voltando algo em torno de um minuto após para o bis com as musicas de encher a alma Elderly Woman Behind The Counter In A Small Town, Just Breathe e Come Back. Contou uma historia sobre sua relação com o Ramones e dedicou o cover I Belive in Miracles à Johnny e fechou esse bis enlouquecendo a todos com Alive.

Novamente deixaram o palco e voltaram com Comatose. Black tirou lagrimas e Better Man, particularmente, entrou diretamente no meu coração. Rearviewmirror acabou com as ultimas força do publico e já com as luzes acesas o famoso cover de Neil Yong Rockin’ in the free World fechou o primeiro dia de apresentação da banda grunge mais simpática do cenário musical, deixando a sensação de "faltou alguma coisa" já que não cantaram seu maior hit Jeremy, mas a esperança é a ultima que morre e ainda resta a apresentação de sexta.

(AVISO - Esse post será editado para ser incluida a resenha do show de sexta. Caso esteja lendo o recado, volte depois que espero já ter atualizado.)

sábado, 30 de julho de 2011

Rocklate

"Bwana Bwana
Não sei cozinhar
Mas sou carinhosa
E tenho talento
Prá boemia
Corre sangria
Nas minhas veias
Volúpia!..."
Bwana - Rita Lee


Foto: Carol Mendonça.
Sexta feira (29/07) começou o 7º festival do chocolate em Ribeirão Pires (para quem não está acostumado a geografia de Avalon e região, Ribeirão fica a 20m a sudoeste da toca da Laracna enfim: interior e longe) e para abrir a festa o primeiro show foi o da rainha do rock brasileiro: Rita Lee.

Tenho um caso especial com a vovó de cabelos vermelhos já que minha criação musical se alternou do rock progressivo de Pink Floyd com o brasileiríssimo de Rita Lee, ela é tão “dá casa” que fomos todos e mais alguns agregados (também com suas famílias) ver aquela que se auto intitula irmã gêmea de Ozzy.

A primeira impressão já foi fantástica. Não posso deixar de elogiar a organização do evento, mesmo correndo o risco de estar sendo precipitada já que estamos falando de 1º dia e de um show não muito popular. O festival se assemelha a uma quermesse bem montada e organizada com revista policial com aqueles negocinhos de ver se a pessoa tem alguma arma ou não na entrada e não estava estupidamente cheio sendo possível transitar pelas barraquinhas e ate comer algum lanche sem pegar tanta fila. Quando a pessoa decidia que ia para a arena onde aconteceria o show, passava por outra portaria mas essa só para entregar o ingresso e ganhar uma pulseirinha (daquelas tipo de hospital e que é um inferno para tirar do pulso) e que dá um livre acesso para entrar e sair da arena. Outro ponto que achei muito bom foi a sessão reservada para idosos e deficientes, ficando no fundo, porem num patamar mais elevado como se fosse uma arquibancada e com cadeiras para ninguém ficar de pé e mesmo assim conseguir ver o show. Nota 10.

Mas vamos ao que interessa: Rita Lee.

A arena estava com uma lotação média e não era tão grande a ponto de ser fácil ver bem o palco a distancia. Poucas pessoas altas, nada muito lotado e uma noite gostosa: tudo condizendo para um bom espetáculo. O show estava marcado para as 9pm e ela não se atrasou (pelo menos não o atraso deselegante), começou com “Agora só falta você” seguida de “Vírus do amor” que fez com que apenas os conhecedores da Rita perdessem a voz. Tocou “Saúde” e “Bwana” e quando todos achavam que ela não ia incendiar o lugar surgiu “Ti ti ti” fazendo o coro ecoar e todos que pareciam envergonhados de assumir a idade começassem a cantar sem medo. Rita brincou com a idade desta musica fazendo todos rirem e emendou uma versão de “A Hard Day´s Night”. Casais dançaram ao som de “Banho de espuma” e o publico cantou “Doce Vampiro” sendo nesta ela ter dado uma pausa e deixado só o os presentes cantarem a plenos pulmões o seu refrão. Fez o chão tremer com “Ovelha negra” e os solos incriveis de Roberto de Carvalho que prova, como se precisasse, que é um monstro na guitarra. Ela resolveu dar uma descansada e contar a historia de sua vida tirando algumas gargalhadas em partes como “Meu pai disse: Aqui em casa ou se estuda ou se trabalha. Mas não se faz musica, por que musica não é nenhum dos dois. Então eu disse ‘Você está certo. Vou fazer música’” e “Mas faltava um ovelho negro. Foi quando eu conheci um carioca moreno gostoso” apresentando o Roberto de Carvalho e foi ate o final de sua “vida” citando o filho (e também guitarrista) Beto Lee e neta. Deu a respirada e cantou “Lança Perfume” fazendo a graça do “Obrigada Ribeirão Pires”, porem voltou para um bis com “Flagra” e com uma cobra no pescoço fechou a noite ao som de “Erva Venenosa” deixando o seu publico bem heterogêneo satisfeito e feliz.

Foto: Carol Mendonça



Apesar das pausas para respirar e momentos que pareciam ser completamente desnecessários como um cover do Michael Jackson dançando “I’m bad” Rita Lee em sua 1h40m de show agradou e deixou aquela vontade de ver de novo um show desta “dinossauro do rock”.


Fotos retiradas da pagina oficial da Rita Lee no facebook.

domingo, 24 de abril de 2011

Crème Brûlée

"Y ahora que estás aqui
Yo de nuevo soy feliz
Pude entender que eras para mi
Dejame quererte tanto, que te seques con mi llanto
Que se nuble cada cielo y que llueva hasta hacer charcos
Déjame besarte tanto, hasta que quedes sin aliento
Y abrazarte con tal fuerza que te parta hasta los huesos"
 Quiero - Shakira

A nostalgia a trouxe àquele restaurante, já haviam passado 7 anos desde a ultima vez e, para sua surpresa, não doeu voltar. Sentou em uma mesa que estava do lado de fora, já que não fazia frio como da ultima vez, e esperou o garçom enquanto seus olhos reconheciam algumas coisas e se acostumava com as mudanças, quando cruzou olhares com olhos castanhos tão difíceis de esquecer. Ele estava lá. Tinha certeza, mesmo por aquele breve segundo ela o reconheceu. Ele dentro, ela fora. Seu coração bateu mais forte e, sentiu o frio na boca do estômago, quando ele abriu a porta e sorriu para onde ela estava.
- Oi.
- Oi.
O coração fazia uma sinfonia dentro do peito.
- Quanto tempo.
- É, faz mesmo... quer sentar? Isso, é claro, se não estiver acompanhado... – a voz de expectativa não deixava nenhuma dúvida.
- Não, não estou
O rosto corou e ele sentou também com o coração fazendo a mesma sinfonia em seu peito.
- E a... – sentiu uma dor insuportável só de lembrar da existência dela
- Não! Já terminamos... faz tempo... – E o...
- Também não deu certo.

...

- Chegou faz tempo? Vi sua mãe semana passada e ela não me disse nada.
- Cheguei na terça.
- Ah... e ficará por aqui? – ele cruzou os olhos com o dela rezando para ela não notar o interesse dele nisso.
- Sim, estou voltando. – o coração dele quase doeu de tanta felicidade – Sentia muita falta daqui, da minha família, dos meus amigos... – e de você, completou na mente.
- Hun... – sorriu acanhado. – Também sentimos muito a sua falta por aqui.

...

- Minha mãe me mandou uma foto da Julia, ela esta enorme, né?!
- Sim, aquela garota esta cada vez mais esperta, dará muito trabalho para o meu irmão.
- Se puxar a madrinha....
Ela riu e a tensão quebrou. Começaram a conversar sobre as novidades em suas vidas, como foi no Canadá, como tinha sido em Tocantins, ela tinha ficado de cama por causa de uma pneumonia, ele tinha pego malária... Falaram sobre filmes e sobre a mania dela de não gostar do Almodóvar... livros... amenidades... e a noite passou e eles comeram, beberam, conversaram e riram como há anos não riam e quando se encostavam quase sem querer instantaneamente seus corações batiam na mesma frequência acelerada.

Chegou o crème brûlée e, como espelhos, quebraram a casca com um sentimento triste que acompanha o final de uma noite boa.

Ele se levantou e gentilmente se ofereceu para pagar a conta, nesse tempo uma das garçonetes se aproximou.
- Fico feliz que esteja viva.
- oi?!
- É, desculpa a minha intromissão, mas não pude me conter. É que esse moço vem todos os anos, no mesmo dia, senta e espera. E hoje você chegou. Fico feliz que você não seja só uma lembrança fúnebre.

O coração dela quase saiu pela boca, seu estômago deu voltas. Ele se lembrava do primeiro encontro.

Ela ainda estava retornando ao normal quando sentiu a mão dele a conduzindo docemente para fora. Ele não queria ir, ela não queria ir. Ele ofereceu carona, ela recusou. Já tinha chamado um táxi. Despediram-se com a promessa de sempre de repetir aquela noite. Ela passou o número novo e perguntou se ele tinha mudado o dele. Não, ele manteve o mesmo, afinal ela saberia onde achá-lo.

Assim que ela entrou em casa mandou um recado.
“Sim, eu também me lembro e ainda te amo”

No outro canto da cidade um coração bateu de forma eufórica.

domingo, 20 de março de 2011

Latinidade e garoa em SP

"'Cause I'm a gypsy
Are you coming with me?
I might steal your clothes
And wear them if they fit me

I don't make agreements

Just like a gypsy

And I won't back down

'Cause life's already bit me"

Gypsy - Shakira


Foi um sabado feio de garoa interminavel mas mesmo assim o Morumbi estava lotado e todos esperando uma só pessoa: Shakira.

O que era um festival pop, acabou se tonando o show da colombiana com varias atrações, tipo um Shakira e os outros, não que isso tenha sido ruim afinal deu uma tranquilidade na hora de entrar que só chegamos no estádio no final do show do Ziggy Marley sem fila travada, sem empurra empurra, sem pressa.

O estadio estava lindo. As arquibancadas todas escuras e algumas pessoas com uns laços/tiara brilhantes/piscantes dando um colorido todo animado. Escolhemos um lugar - óbviamente longe - mas sem grandes aglomerações e que se fizessemos movimentos dignos de ballet boshoi conseguiamos ver um pequeno ponto lá no fundo e esperamos.

A chuva apertou e a colombiana chegou envolta num pano rosa super gagaista andando no corredor entre o publico e o palco, cantando "Pienso en ti" e enchendo meu coração de esperança e nostalgia de estoy aquí.
Mas rapídamante saiu de 96 e voltou as musicas mais recentes. Dançou, rebolou e mostrou um pop todo rock enquanto sensualizava com o mastro do microfone numa calça de couro justissima.
Agitou o estadio com a "
Whenever, Wherever" e terminou essa parte mais "rock" com "Inevitable".

Voltou com uma saia cigana e toda a latinidade na veia numa apresentação de flamenco de tirar o folego. Fez uma versão toda dela para "
Nothinhg Else Matters" e ficou sem ação quando numa pausa de "Gypsy" o povo pediu, implorou e gritou em coro "Estoy aquí", pedido não atendido o show continuou com todo o rebolado improvavel em "La Tortura" e com a fofa de dar uma aquecida no coração "Sale el sol" na qual, num ato de simbolizar a libertação do peso da alma, rasgou sua blusa num momento "Ui que susto".

Voltou
mais pop e fez o Morumbi pular com "Loca", uivar com "She Wolf" e estarrecer com "Ojos Así", abraçou a bandeira do Brasil e deu tchau.

Voltou alguns minutinhos depois para derrubar o estadio com "Hips Don't Lie" e "Waka Waka". Se despediu de vez e se foi, deixando para tras um publico contente e dançante.
E pra mim, fez com que eu gostasse ainda mais dela, mostrando toda a sua simpatia e que um show pop não precisa de megas produções, com explosões e dançarinos mil, só precisa de uma pessoa que tenha simpatia contagiante, um rebolado hipnotizante e que saiba animar um estádio. Fácil, não?!

(fotos, imagem pós show e chuva e companhia mais que agradavel de @Ruh_Dias)